Cativa na torre de névoa

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 13 de Maio de 2026 ás 11h 45min

Cativa na Torre de Névoa

 

de Rosy Neves

 

As minhas lágrimas ainda escorrem

pelas vielas do cosmo,

formando um rio antigo

onde naufragam luas mortas

e estrelas cansadas de brilhar.

 

Sobre essas águas silenciosas,

arcanjos de olhos selados de silêncio

navegam devagar,

como quem carrega nas mãos

o peso de eternidades esquecidas.

 

Eles passam por nebulosas feridas,

por jardins apagados do infinito,

até chegarem à torre

em que eu estou cativa,

presa entre paredes de névoa

e relógios que desaprenderam o tempo.

 

Os faróis estão apagados há séculos.

Nenhuma chama responde ao meu chamado.

Nenhum cometa atravessa

a janela fria da minha alma.

 

E eu grito para o céu —

mas o céu apenas dorme,

coberto de constelações cegas.

 

Ai, meu Deus…

por que deixaste que a noite

crescesse tanto dentro de mim?

Por que o universo inteiro

parece chorar em meus olhos?

 

Às vezes penso

que fui esquecida entre galáxias,

como uma antiga canção

que ninguém mais se lembra de cantar.

 

Mas ainda assim,

mesmo entre ruínas celestes,

há um pequeno clarão tremendo

dentro do meu peito.

Uma estrela ferida.

Uma estrela quase morta…

mas viva.

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