Chuva de palavras no bosque de uma página em branco

| Metapoesia | Antologia Nacional Família Literária: A travessia das palavras | Mauro André Oliveira
Publicado em 30 de Agosto de 2026 ás 21h 35min

Um dia, uma nuvem de sentidos à deriva

precipitou palavras sobre o bosque

de uma página em branco.

O substantitvo, escorrendo por um rio

através do vale lexical, 

logo encontrou o verbo e, mais adiante,

num dos afluentes, o adjetivo.

Juntos, passaram a nomear

o abismo que nos habita. 

O silêncio bebeu

cada sílaba de vertigem.

A flor aceitou tornar-se metáfora

para sobreviver à abscisão. 

O pássaro conjugou o voo

no verbo ser,

e o vento, entre galhos secos,

ensaiou um parágrafo de solidão. 

Então, a página tornou-se

carne, fratura, enredo

— a semântica com que a vida

declina o vazio. 

O bosque agora floresce narrativas,

e os homens, entre o arvoredo de palavras,

caminha à procura do verbo

que já não conjuga apenas o princípio, 

mas também o infinito.

 

 

 

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