Tenho raízes nos pés
e tempestades nas mãos.
Aprendi a levantar
com o vento contra
e o mundo em negação.
Não sou silêncio imposto,
sou voz que atravessa o não.
Meu peito não pede licença,
meu passo não pede perdão.
Carrego quedas vencidas,
cicatrizes que viraram direção.
Cada dor que tentou me dobrar
virou músculo e decisão.
Sou abrigo e lâmina,
chuva e combustão,
sei acolher com ternura
e cortar com precisão.
Não me diminuo para caber,
não me calo para ficar.
Quem caminha ao meu lado
caminha, não vem me guiar.
Sou mulher em estado de chama,
inteira na própria missão,
não nasci metade de nada.
Nasci continente em expansão.