Conchinhas de estrelas

Poemas | Canção | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 07 de Abril de 2026 ás 14h 21min

Ele colhe conchinhas de estrelas

num mar oculto no cosmo,

onde o silêncio é profundo

e a noite respira luz.

 

Seus passos não fazem som,

mas deixam rastros de brilho

como se o infinito, distraído,

tivesse esquecido pedaços de si.

 

As ondas não são de água,

são feitas de sonhos antigos,

memórias de galáxias

que aprenderam a sussurrar.

 

E ali, entre o nada e o eterno,

ele se curva em reverência

e recolhe, uma a uma,

as conchas que cantam segredos.

 

No alto, além das névoas translúcidas,

Miguel, o Arcanjo, o observa—

silencioso como o tempo,

luminoso como o juízo das estrelas.

 

Seus olhos guardam mistérios,

não de ameaça, mas de vigília:

 

como quem protege o gesto puro

de quem ainda sabe sonhar.

E o colhedor, sem saber,

é guardado por essa presença,

como um verso perdido

nos lábios da eternidade.

 

E o mar oculto pulsa—

invisível aos olhos do mundo—

enquanto conchinhas de estrelas

ecoam cânticos de luz.

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