Conchinhas de luz

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 14 de Maio de 2026 ás 07h 42min

Conchinhas de Luz

 

de Rosy Neves

 

Eu colhi conchinhas de luz

no mar vasto do cosmo,

onde as galáxias dormem

como jardins esquecidos de Deus.

 

Eram pequenas estrelas partidas,

respingos de sóis quase mortos,

ainda mornos de eternidade,

ainda tremendo silêncio

nas águas escuras do infinito.

 

Meus dedos sangravam auroras

ao tocar aquelas relíquias celestes,

como quem recolhe memórias

das antigas embarcações do céu.

 

Havia um vento de planetas antigos

passando entre meus cabelos,

e um coral de luas invisíveis

cantando baixinho para a noite.

 

Oh, como o universo é triste às vezes…

Tão belo,

tão vasto,

tão sozinho.

 

As constelações choravam lentamente

sobre o dorso do tempo,

e eu caminhava descalça

pelas margens do abismo sideral,

guardando conchinhas de luz

dentro do peito.

 

Cada uma continha

um fragmento de sonho,

um eco perdido de anjos,

um pedaço da última canção

de uma estrela moribunda.

 

E quando a madrugada do cosmo

desabou sobre mim,

eu ouvi o céu sussurrar:

— “Tudo o que morre na eternidade

continua brilhando

em algum lugar invisível…”

Comentários

Olá! Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.