Continuação. Madame do rosto pintado
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 22 de Maio de 2026 ás 20h 07min
Madame do Rosto Pintado
Silêncio! Silêncio!
Ouvi o ronco suave da bela Dama
Que dorme sorrindo entre as areias das estrelas!
Ela dorme sonhando, envolta em versos de amor.
Ouvi! Os sonhos dela são barquinhos de papel
Encalhados no mar cósmico, à deriva de um outro sonho.
As estrelas parecem folhas caídas de um outono antigo…
Silêncio!
Ela dorme! E os marinheiros, gentis e bem-feitores,
Passam por ela e beijam-lhe os dedos,
Em respeito à sua majestade.
Os astros do céu cantam canções de ninar para ela.
Silêncio!
E cobrem-na com um véu negro, tecido sem luar,
Calmo e sereno…
Para que ela nunca venha a acordar.
Dona de uma beleza rara, senhora dos olhos
Punidos de luz e estrelas.
Marujos cósmicos, nem ousais olhar para ela!
Pois se olhais… ai, meu Deus, prefiro nem pensar…
Silêncio!
Madame do rosto pintado com conchinhas do mar,
Dorme! Dorme profundamente, dentro de um outro sonho…
Silêncio.