CONVERSA COM O DESASSOSSEGO
| | 2026/07 Antologia Quando o verso pergunta | Eidi MartinsPublicado em 30 de Julho de 2026 ás 22h 14min
Li tuas inquietações.
Fechei o livro.
Depois, abri a janela.
O vento não respondeu ao que eu pensava.
Mas levou o cheiro do café até o quintal.
Fiquei olhando uma folha.
O vento a balançava.
Ela permanecia presa ao galho,
como se soubesse que nem toda força
é capaz de arrancar o que criou raiz.
Pensei em ti.
Também já caminhei por estradas
que pensei não terem fim.
Hoje, não tenho tanta pressa.
Tu procuravas um sentido para viver.
Eu encontrei pequenos sentidos.
Nas páginas de um livro,
que acariciam a alma.
No café quente,
que aquece o peito
Na chuva,
que bate na janela.
Na mão,
que segura outra mão.
No silêncio,
que acalma e abraça.
Desde então,
quando o desassossego
bate à minha porta,
não o mando embora.
Ofereço uma cadeira, sirvo um café.
Pois aprendi que até a inquietação se acalma
quando encontra alguém disposto a escutar.