Costureira de galáxias

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 01 de Junho de 2026 ás 08h 00min

A Costureira de Galáxias

 

Ela costurava estrelas perdidas no céu

com dedos delicados e leves,

tecendo pura luz em cada ponto que fazia,

criando um manto de sonhos que parecia flutuar no ar,

bordando esperanças infinitas sobre o tecido da noite.

 

As nuvens eram o seu pano macio e branco,

e o vento, a melodia que a embalava,

enquanto o universo inteiro a observava,

calado e embasbacado com tanta beleza,

como se cada pequena estrela tivesse,

guardado dentro de si, um segredo especial para sussurrar.

 

Ela tinha o dom de ouvir os desejos,

aqueles que sussurram baixinho entre as constelações,

os anseios profundos de corações que ainda estão acordados,

e os ecos de promessas que foram feitas, há muito tempo,

sob o véu prateado e misterioso da madrugada.

 

Com cada laçada dada com carinho,

retirava do espaço as mágoas deixadas pelo tempo,

transformava a escuridão e as sombras em luz brilhante,

fazendo de todo o céu o seu imenso e belo ateliê,

um lugar onde o próprio infinito parecia dançar em cores.

 

E assim ela continuava o seu trabalho,

agarrando astros que vagavam sem rumo,

colocando-os de volta nas suas trajetórias certas,

num desfile eterno de brilhos, ordem e esperanças,

narrando, sem palavras, histórias que nunca foram ditas.

 

Ela era, acima de tudo, a costureira de galáxias,

uma verdadeira artista que trabalhava com almas,

e as estrelas, completamente fascinadas pelo seu dom,

permaneciam, então, para sempre,

firmes, seguras e brilhantes,

fixas para a eternidade,

na imensa tapeçaria do seu toque delicado.

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