Deserto cósmico
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 02 de Junho de 2026 ás 11h 05min
Deserto Cósmico
O tempo escorre por entre os dedos dele,
feito areia fina e seca de um deserto cósmico,
um lugar tão vasto e tão calado
onde nenhuma estrela, tímida ou brilhante,
ousou um dia nascer.
Cada pequeno grão que foge carrega um instante perdido,
um sonho que partiu sem ao menos dar adeus,
uma melodia suave que o vento, distraído,
esqueceu-se de cantar para sempre.
Ele observa, imóvel, o horizonte vazio,
construído inteiramente de silêncios antigos
e de luas que o tempo apagou,
tornando-as apenas lembranças do esquecimento.
Os minutos caem devagar, muito devagar,
como pétalas murchas e mortas pousando sobre a eternidade,
enquanto a noite, lenta e solene, estende os seus véus escuros
sobre galáxias distantes, frias e ainda sem nome.
E ele segue caminhando, passo após passo,
completamente sozinho entre nebulosas adormecidas,
procurando, com a alma ansiosa, um único e pequeno lampejo de luz,
qualquer coisa que sirva para aquecer a imensa solidão do peito.
Mas o tempo continua a escorrer, implacável,
indiferente às súplicas e preces dos homens,
deslizando suavemente entre os seus dedos abertos,
tal como areia seca de um deserto onde nenhuma estrela brilha.
E, ainda assim, mesmo em meio a tanta ausência,
em algum lugar secreto e muito além da escuridão,
uma estrela invisível prepara, em silêncio, o seu nascimento,
feito quem guarda com carinho um milagre raro e precioso,
exatamente para a última e mais longa hora da noite.