?Na mesa do quarto, o encontro sagrado:
O meu instrumento e o dele, ao lado.
Duas canetas de traço certeiro,
Que desenham o mundo no dia inteiro.
?A dele é silêncio, é gota, é vida,
É a dose exata na pele sentida.
A minha de tinta é som, é memória,
É quem dá o sentido a toda essa história.
?Escrevo com a tinta que o peito transborda,
Para despertar quem o medo acorda.
Digo aos pais, em cada versículo,
Que a vida não para nesse capítulo.
?O diagnóstico assusta, a rotina é severa,
Mas ainda há flores em nossa espera.
Se a caneta dele mantém o seu passo,
A minha de tinta é o texto abraço.
?Pois mesmo entre números e medições,
A felicidade habita nossas canções.
Ele vive pela insulina, eu escrevo por nós,
Dando ao acalento a minha própria voz.