Dunas de amores
Poemas | Poesia Amorosa | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 28 de Maio de 2026 ás 06h 38min
Dunas de Amores
Nas dunas vastas dos amores perdidos,
o vento chega devagar e escreve o teu nome,
usando dedos leves feitos de puro silêncio
e da água calma de mares que já não existem mais.
A areia fina dança lentamente no ar,
rodopiando como se guardasse, com zelo,
os segredos antigos de milhares de amantes
que um dia desapareceram, suaves e calmos,
na curva dourada e infinita do horizonte.
Os teus olhos —
duas luas belas, porém cansadas de tanto olhar —
ainda repousam, vivos e presentes, dentro de mim,
tal como pássaros feridos e frágeis
que buscam, desesperados, um abrigo seguro
no meio da escuridão da noite.
Há conchas que choram memórias guardadas,
ali, à beira do abismo e do infinito,
e há estrelas que já naufragaram no tempo,
caindo lentas e brilhantes
sobre o peito cansado e aberto do mundo.
E eu caminho só e descalça
por sobre essas dunas que parecem eternas,
carregando nos meus ombros, com carinho e dor,
um imenso e vivo jardim de saudades.
Silêncio…
Que o universo inteiro, atento e solene,
escuta e recolhe cada uma das lágrimas
que caem escondidas e discretas
entre os pequenos grãos do tempo.
E o Amor…
Ah, o Amor, esse peregrino antigo
feito de névoa suave e de fogo ardente,
continua a sua longa viagem,
atravessando desertos imensos e áridos,
à procura, sempre à procura,
de um coração bom e verdadeiro
onde possa, enfim, parar e descansar.