Dunas sombrolentas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 02 de Abril de 2026 ás 09h 44min
Nas dunas sombrolentas do tempo esquecido,
o vento sussurra segredos antigos,
como vozes de almas que ali repousaram
em silêncios profundos que nunca passaram.
A areia ondula como um mar sem água,
guardando lembranças de dor e de mágoa,
e o céu, tão distante, observa calado
o pranto invisível de um sonho enterrado.
Há sombras que dançam na luz do poente,
vestidas de névoa, tão frias, tão lentas,
e o sol, ao se despedir do horizonte,
beija as dunas com cores sombrolentas.
Oh, dunas que guardam mistérios do mundo,
em vossas curvas há ecos profundos,
de passos perdidos, de amores tardios,
de histórias levadas por ventos vazios.
E eu caminho só por entre esse véu,
onde a terra parece tocar o céu,
sentindo na alma um doce lamento
que nasce das dunas e vive no vento.
Pois nelas encontro, em doce agonia,
a paz melancólica que o tempo cria…
e nas dunas sombrolentas, enfim,
descansa o silêncio que existe em mim.