É tempo de amar
Poemas | Poesia Amorosa | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 14 de Março de 2026 ás 18h 56min
É tempo de amar
O cinza se despede da janela da almaná, mas a sombra bebe a luz da manhã.
Melancolia,
aquela velha casca,
secou nos galhos nus do outono esquecido.
Deixe-a ir.
Pendurada, sim,
mas frágil,
pronta para o sopro que a leva para longe,
além do horizonte visível,
onde o passado se dissolve em névoa.
Sinta a leveza nova,
o peito que respira fundo sem o peso das folhas mortas.
O ar agora é limpo,
perfumado com promessas.
É tempo de abrir as janelas,
deixar que o sol de primavera
(mesmo que seja verão em disfarce)
inunde cada canto escuro.
É tempo de amar.
Um amor sem pressa,
mas com urgência no toque.
Um amor que floresce onde antes havia apenas terra seca.
Amar sem medo do inverno que virá,
porque agora o calor reside aqui dentro,
na certeza de um abraço apertado,
na música suave de duas vozes unidas.
A estação mudou.
Não mais o recolhimento forçado,
mas a expansão do coração,
como um rio que transborda,
irrigando tudo que encontra.
As mãos se procuram sem o tremor da dúvida.
Os olhos se encontram e veem apenas o agora,
este instante perfeito onde só importa o pulsar junto.
Deixe o vento levar o sussurro frio do que não foi.
Pegue a mão que te espera,
e caminhe para a luz nova.
É tempo,
sim, é tempo de amar com toda a força que a vida ainda guarda para quem decide viver,
para quem escolhe o calor.
É tempo de amar.
Apenas isso.
Tudo que resta,
tudo que importa.