Ela é uma faísca

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 13 de Março de 2026 ás 11h 33min

Ela é uma faísca de estrelas

perdida no veludo escuro.

Um brilho tênue,

quase consumido pela vastidão.

 

Sua luz,

um sussurro cósmico,

tenta manter-se acesa

contra o frio perpétuo.

 

Na superfície,

uma calma de lagoa espelhada,

refletindo céus sem nuvens.

Uma serenidade aprendida,

forçada talvez,

para não assustar o silêncio.

 

Mas por dentro,

a agonia pulsa, lenta e profunda.

Um tremor nas bordas da alma,

como a matéria escura que a envolve.

 

Um sofrimento sem nome,

sem grito audível,

apenas a fricção constante

do ser contra o não ser.

 

Ela vive nesse paradoxo mudo,

entre o fogo estelar de sua origem

e o quase nada de seu presente.

 

O universo é seu útero,

vastidão acolhedora e esmagadora.

Um berço imenso

onde o eco de sua explosão inicial

ainda ressoa, fraco.

 

Em cada inspiração,

ela tenta reavivar a combustão,

lembrar-se da força

que a lançou para a existência.

 

Mas o combustível é escasso,

as cinzas são pesadas.

 

Ela flutua, suspensa,

entre a memória de ser fogo

e a aceitação da brasa fria.

 

Uma beleza melancólica,

a constelação que esqueceu

como brilhar intensamente,

mas que ainda teima em existir,

pequena e preciosa,

no abraço infinito.

 

Esperando talvez

que outra estrela distante

envie um raio de luz amiga,

para reacender a chama

deste fragmento celestial

que reside na serena escuridão.

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