Ele nem me disse adeus
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 13 de Março de 2026 ás 09h 13min
O cais está vazio agora
e ecoa o som de um navio partido.
Ele se foi,
como a maré que recua sem aviso,
levando consigo a âncora do meu peito.
Nem um sussurro de despedida,
nenhum aceno na névoa da manhã,
apenas o rastro de espuma
na água fria que engoliu sua partida.
Em qual vastidão salgada
sua vela branca busca abrigo?
Em que azul profundo
seus dias se estendem agora,
longe do cais que um dia o viu chegar?
O mar, esse gigante indiferente,
o abraça em seu mistério líquido.
Será que sob as ondas escuras
ele tropeça em si mesmo?
Afogado, não em água, mas no peso denso
de lágrimas que nunca verteu em terra firme?
Eu olho para cima,
buscando respostas no firmamento.
Conta-me, céu infinito,
quais estrelas que ele agora percorre.
Ele é um velho navegante estelar,
dizem.
Um mapa rasgado de constelações,
guiando-o por rotas que não conheço.
Será que o brilho distante
que vejo é a luz de sua lanterna solitária?
O universo,
essa teia vasta e indiferente,
o terá esquecido?
Um ponto minúsculo,
uma mancha de tinta antiga
no pergaminho negro do cosmos.
Ele partiu,
e o silêncio que deixou
é maior que qualquer oceano.
Um velho lobo do mar astral,
talvez sem porto para retornar,
perdido no eterno ir e vir
de luzes que nunca chegam.
E eu permaneço aqui,
na areia úmida,
esperando que alguma estrela cadente
me traga uma carta,
um último sinal
do navegador que trocou o horizonte visível
pela infinita, e fria, escuridão.
Comentários
Lindíssimo poema adorei parabéns
Maria Lurdes | 13/03/2026 ás 11:07