Entre cacos e colos

| | INGRID MOHR
Publicado em 28 de Julho de 2026 ás 09h 22min

Entre cacos e colos

Há colos

que não consertam o mundo

 

Apenas recolhem

os estilhaços do invisível

 

Sem alarde

colam cacos

que nem o tempo ousou tocar

 

É no silêncio de um abraço

que a alma aprende

que quebrar

nunca foi o oposto

de continuar

 

O que se recompõe

não volta a ser o que era

torna-se outra forma

de eternidade.

 

E talvez seja esse

o destino de todo ser

 

partir-se

para descobrir

que existem colos

capazes de unir

até os fragmentos

que a própria existência

esqueceu de si

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