Entre o que parte e o que fica

Querida,

Escrevo-te não para falar do que se perdeu, mas do que permanece.
O tempo nos levou por caminhos diferentes, e em cada curva deixamos pedaços de nós. Ainda assim, quando penso em ti, não encontro ausência: encontro inteireza.

Há lembranças que resistem como raízes — o café compartilhado, o silêncio que não pesava, o olhar que dizia mais do que qualquer palavra. São fragmentos, eu sei, mas juntos formam um mosaico que continua inteiro dentro de mim.

Aprendi que o amor, a amizade, a vida… não precisam ser perfeitos para serem verdadeiros. Eles podem se partir em mil pedaços e, ainda assim, guardar uma inteireza que nos sustenta.

Se um dia nos reencontrarmos, que seja na varanda, no banco da praça ou em qualquer lugar onde o tempo se curve diante daquilo que nunca se desfaz.
E se não houver reencontro, que esta carta seja testemunha: mesmo partida, a memória de nós permanece inteira.

Com afeto,
Entre a partida e a permanência

 

Silvia Santos

Livro: Metade Inteira, Metade Partida: Contos, crônicas, cartas, poemas e histórias de quem vive em pedaços e plenitudes

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