Esconderijo secreto
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 09 de Março de 2026 ás 20h 54min
Então ó eleito
era aqui que tu estavas?
Escondido
na penumbra suave
deste lugar silencioso?
Eu te busquei
na vastidão fria
onde as estrelas são poeira indiferente.
Minhas mãos frágeis
erguiam-se em súplica muda
para os céus azuis,
tão vazios, tão distantes.
Eu oferecia preces leves,
fios de esperança tecida
na solidão do meu peito.
E tu?
Onde residia tua luz eleita
enquanto a minha se apagava?
Por que me deixaste
naquele ventre escuro
do cosmo infinito?
Um lugar sem eco,
sem consolo,
onde o tempo se dobrava sobre si mesmo.
Eu chorei.
Lágrimas quentes
deslizando pelo rosto inaudível.
Um rio de sal
que ninguém sentiu a correnteza.
Cada soluço meu
era um grito abafado
na seda negra do espaço.
Ninguém ouviu.
Nem o sussurro do vento cósmico,
nem a pulsação distante de um sol moribundo.
Apenas o vazio respondeu,
um silêncio profundo,
mais denso que a própria escuridão.
Eu acreditava na tua promessa
de caminhar lado a lado,
no brilho que emanava do teu ser.
Mas a promessa era um fantasma,
uma ilusão bordada
no tecido fino da fé.
E aqui estás, ó eleito,
na quietude serena,
enquanto eu ainda me arrasto
pelas bordas afiadas da lembrança.
Teu silêncio
é a maior das revelações.
Um deserto aberto
onde antes havia um jardim.
Eu te chamo,
mesmo sabendo
que o som não viaja
até o teu refúgio.
E a solidão
permanece,
minha única companheira fiel,
neste chão esquecido.