ESCUDO, NÃO ARMA

Prosa Poética | Isolti Cossetin
Publicado em 22 de Fevereiro de 2026 ás 19h 59min

ESCUDO, NÃO ARMA

Desde o princípio, a narrativa nos conta que Deus viu o homem só.

E a solidão não era boa.

Então criou a mulher,

não como rival,

não como serva,

não como sombra,

mas como companhia.

Alguém para caminhar ao lado.

Para partilhar a vida.

Para amar e ser amada.

Se a criação nasceu da necessidade de comunhão,

em que momento a proteção se tornou ameaça?

Em que curva da história o guardião virou agressor?

Quando foi que o escudo se transformou em arma?

O homem não foi chamado a dominar pelo medo,

mas a sustentar pelo cuidado.

Não a impor silêncio,

mas a preservar dignidade.

Não a esmagar fragilidade,

mas a proteger aquilo que é precioso.

Há algo profundamente distorcido

quando aquele que deveria ser abrigo

se torna tempestade.

Quando o lar deixa de ser refúgio

e passa a ser território de dor...

Em todos os cantos do mundo,

mulheres têm seus sonhos interrompidos

por mãos que confundiram força com poder.

Mas força verdadeira não fere.

Força verdadeira contém a própria violência.

Força verdadeira é domínio de si.

Ser homem é honrar o propósito da origem:

amar sem ferir,

cuidar sem controlar,

proteger sem sufocar.

Quando uma mulher é violentada,

não é apenas uma vida que se parte,

é o projeto de comunhão que se rompe.

É a própria ideia de lar que se desfaz.

O papel do homem é ser escudo.

Escudo da vida.

Escudo da dignidade.

Escudo do amor que lhe foi confiado.

Nunca a arma

que destrói aquilo

que nasceu para proteger.

 

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