Espada de fogo
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 07 de Maio de 2026 ás 12h 04min
Pelas ruas estreitas do vilarejo adormecido,
quando a lua derrama prata sobre os telhados antigos,
ele caminha.
Silencioso.
Terrível e belo como as profecias.
Seus passos não fazem ruído,
mas as sombras estremecem
ao sentir o peso de sua presença.
Nas mãos,
uma espada de fogo arde contra a noite,
como se um pedaço do próprio céu
houvesse descido à terra
para guardar os homens do medo invisível.
Miguel… Miguel…
Santo arcanjo das batalhas eternas,
teu nome atravessa os ventos
como um sino aceso nas alturas.
Os cães silenciam.
As janelas fechadas sonham em paz.
As mães apertam os filhos contra o peito
sem saber
que um guardião vigia suas portas.
Há estrelas presas em tua armadura,
há relâmpagos dormindo em teus olhos,
e dentro de tuas asas
canta um coro antigo
feito de luz e justiça.
Miguel… Miguel…
quando atravessas a madrugada,
até os abismos se ajoelham.
E o vilarejo dorme tranquilo,
porque sabe —
mesmo sem compreender —
que existe um anjo caminhando na noite
com uma espada de fogo nas mãos.
Comentários
Parabéns pela poesia que enaltece sua identidade religiosa.