Essa é sua poesia.

 

A poetisa não tem hora para sangrar verso.

Ela sangra de madrugada, quando a casa dorme

E a alma resolve conversar com Deus.

Sua poesia não nasce pronta.

Ela gesta.

Meses de dor,

Meses de fé,

Até nascer uma frase que salva alguém.

A poesia dela tem cheiro de café frio,

De oração feita baixinho,

De choro engolido

E de riso que voltou.

Tem dedo calejado de tanto escrever na vida,

Antes de escrever no papel.

Tem marca de queda,

Tem marca de levantar.

A poetisa não vende ilusão.

Ela entrega verdade.

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