Estou fugindo de ti
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 09 de Março de 2026 ás 21h 03min
Atravessei o véu do cosmo
Um rasgo no tecido do ser
Buscando o nada frio
O silêncio onde tua imagem
Não pudesse mais tocar
O centro do meu pensar.
Eu quis a ausência estelar
A poeira cósmica limpa
De qualquer memória tua.
Lancei-me ao infinito
Onde as estrelas são apenas gás
E a luz demora séculos
Para contar histórias velhas.
Mas tu,
Não eras um ponto fixo
Uma estrela que se apaga.
Tu foste a própria vastidão
O espaço entre os mundos
A gravidade que me puxava
Mesmo quando eu tentava flutuar.
Cada nebulosa
Era um resquício do teu sorriso
Cada buraco negro
A lembrança da profundidade
Do teu olhar que me engoliu.
Eu vi sóis nascendo
E outros morrendo em explosões
Um espetáculo de esquecimento forçado.
Eu gritei teu nome
No vácuo que tudo absorve.
Mas o eco voltou
Trazendo tua voz
Misturada ao ruído de fundo
Do universo em expansão.
Meus olhos, habituados à escuridão
Tentam se desviar
Buscam a borda, a fronteira
Onde o teu rastro desaparece.
Eles piscam contra a luz fria
De galáxias distantes
Acreditando que a nova visão
Trará a cura da lembrança.
Mas é em vão.
Pois quando fecho as pálpebras
No silêncio prometido do espaço
Descubro que tu és a própria arquitetura
Onde tudo se conecta.
Tu és o mapa
E o caminho percorrido.
Tu és o véu rasgado
E o tecido que ainda me sustenta.
Atravessei tudo
Para fugir de ti.
E só encontrei
Tuas infinitas formas
Em cada canto do imenso azul escuro.
O esquecimento
É apenas um planeta
Que ainda não descobri
Onde o teu nome não ecoa.
E eu ainda estou voando.