Estou parada nas margens de um rio
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 28 de Março de 2026 ás 14h 47min
Estou parada às margens de um rio estranho,
suas águas não refletem o céu que conheço,
correm como sonhos que não têm começo,
nem fim que o coração possa alcançar.
Há um silêncio antigo em seu curso lento,
como se guardasse segredos de outras vidas,
e minhas lágrimas, tímidas e perdidas,
caem sem tocar o seu movimento.
Esse rio não é deste mundo — eu sinto —
é feito de ausências e eternidades,
leva consigo minhas saudades
para um lugar onde não posso ir.
E fico ali, suspensa entre dois tempos,
com a alma inclinada sobre o infinito,
ouvindo em seu murmúrio aflito
o eco do que ainda há de partir.