Estou perdida

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 05 de Março de 2026 ás 16h 10min

Eu estou perdida 

neste veludo escuro 

cheio de pontos de fogo distante. 

Estrelas, 

milhões delas, 

não me dão um norte claro. 

São apenas luzes frias, 

testemunhas mudas 

da minha deriva. 

 

O mapa da vida, 

tão complexo, 

com suas linhas tênues 

e rios de indecisão, 

rasgou-se nas minhas mãos. 

Cada dobra, um erro talvez, 

cada mancha de tinta, uma encruzilhada 

onde escolhi a sombra. 

 

Ó meu Deus, 

onde está a porta? 

A saída desta imensidão 

que me engole devagar? 

Procuro a borda, 

o fim da noite, 

mas só encontro mais silêncio 

e o eco do meu próprio passo incerto. 

 

Qual é o rumo 

que devo costurar de volta 

nesta tapeçaria desfiada? 

Sinto a bússola girar sem parar, 

o ponteiro bêbado de tanta ausência 

de um ponto fixo, de um farol. 

 

A névoa da noite, 

essa seda úmida e fria, 

envolve tudo. 

Ela apaga os marcos, 

suaviza as arestas do caminho 

que eu pensei conhecer. 

 

Mostra-me um caminho perdido, 

sim, aquele que foi esquecido 

na pressa de seguir em frente. 

Talvez a verdade 

não esteja na rota principal, 

mas naquela trilha abandonada, 

coberta de orvalho e esquecimento. 

 

Preciso de um fio, 

um sinal fraco, 

uma constelação que só eu possa ver, 

para desemaranhar este nó no peito. 

Perdi a âncora, 

sou apenas um barco à deriva 

sob o olhar indiferente 

deste universo estrelado, 

implorando por uma direção, 

qualquer direção, 

que me devolva ao chão.

Comentários

Olá! Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.