Estrelas mortas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 24 de Março de 2026 ás 18h 29min
As estrelas, mesmo mortas,
guardam na poeira do tempo
um sussurro antigo do meu nome.
Como se em sua memória distante
houvesse ainda vestígios de mim,
uma saudade que não se apaga,
mesmo depois do fim da luz.
Ó meu Deus…
por que me fizeste olhar tanto para o alto?
Por que ensinaste meus olhos
a buscarem o que já não vive,
o que já partiu,
o que só brilha de ausência?
Fico aqui,
presa entre o céu e o silêncio,
procurando respostas
em astros que já não respondem.
E então, num instante quieto,
quase inaudível,
descubro —
não no céu,
mas no abismo suave do peito —
que tudo que procuro nas estrelas
arde, secreto, dentro de mim.
Sou também luz antiga,
sou também memória acesa,
sou também infinito.
E talvez…
se eu fechar os olhos,
não precise mais olhar para cima
para encontrar o céu.