Eu juro que vi o Amor
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 16 de Maio de 2026 ás 20h 45min
Eu juro que vi o Amor
de Rosy Neves
Eu juro que vi o Amor.
E não era homem, nem sonho,
nem lembrança perdida dentro da madrugada.
O Amor tinha asas silenciosas
feitas de névoa e constelações,
e os seus olhos eram tão profundos
que dentro deles dormiam galáxias cansadas.
Eu o vi atravessando o céu
como um peregrino antigo,
colhendo conchinhas luminosas
de um mar cósmico escondido entre as estrelas.
Cada concha guardava um segredo:
o choro de uma lua abandonada,
o suspiro de um cometa ferido,
a oração esquecida de algum anjo exilado.
E o Amor caminhava devagar,
como quem conhece a dor do infinito.
Seus pés deixavam rastros de luz
sobre os rios escuros da eternidade.
Eu quis chamá-lo.
Mas minha voz era pequena demais
para alcançar criaturas celestiais.
Então apenas fiquei olhando,
com os olhos inundados de espanto,
enquanto ele roubava delicadamente
as pérolas azuis daquele oceano do céu.
E antes de desaparecer
atrás das montanhas do universo,
o Amor voltou o rosto para mim.
Ah…
naquele instante eu compreendi:
os anjos mais belos
são também os mais tristes.
Porque carregam nos braços
todas as saudades do mundo.
E eu juro…
eu juro pelas estrelas adormecidas…
que vi lágrimas brilhando
nos olhos profundos do Amor.