Eu não preciso do seu perdão
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 06 de Março de 2026 ás 10h 33min
Eu não preciso do teu perdão.
A porta se fechou
e o eco da tua ausência
já não me assombra mais.
A chave, joguei ao mar.
Lembro dos dias
em que a ferida aberta
era o meu único mapa,
e tu, o farol que prometia
um porto seguro,
que nunca existiu.
Eu andei nos destroços,
coletando os cacos
de um espelho partido
onde a minha imagem
se distorcia na tua sombra.
Mas o tempo,
esse velho e silencioso alquimista,
fez o seu trabalho.
Eu me sentei sozinha
no chão frio da minha casa interior,
e conversei com aquela criança assustada,
aquela parte de mim
que ainda esperava a tua voz
para se sentir inteira.
Eu a abracei.
Eu disse que ela era forte.
Que o erro não foi dela.
Que o erro era acreditar
em promessas feitas de fumaça.
A cura não veio de fora,
não veio da tua boca arrependida,
ou de um pedido de desculpas tardio.
Ela brotou lenta,
como musgo em pedra esquecida.
Eu fiz as pazes.
As pazes foram seladas
com a minha própria aceitação,
o silêncio onde antes havia grito.
O perdão que eu precisava
já estava guardado no meu peito,
não como uma moeda para te dar,
mas como um tesouro para guardar.
Tuas palavras de agora
são apenas ruído de fundo,
o chiado fraco de uma rádio
que já não sintonizo.
Não guardo rancor,
isso seria dar-te mais espaço.
Guardo apenas a lição
e a cicatriz que me lembra
o quão longe cheguei
sem a tua mão para me guiar.
O meu caminho agora é reto,
livre do peso da tua falta
e do peso da tua presença.
É por isso que te digo,
sem mágoa, sem raiva, apenas constatação:
Adeus.
Vou seguir.
Sem olhar para trás,
pois o meu futuro já não tem o teu nome escrito nele.