Eu sou um pássaro ferido
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 17 de Maio de 2026 ás 06h 43min
Eu sou um pássaro ferido
de Rosy Neves
Eu sou um pássaro ferido.
De asas quebradas,
pousado no mais alto ramo
da árvore antiga.
O vento passa por mim
como quem acaricia uma ruína sagrada.
E a noite, com seus dedos de névoa,
cobre meus olhos cansados de horizonte.
Já não canto como antes.
Minha voz agora
é um fio de água escondido
entre pedras silenciosas.
Mas ainda guardo no peito
um céu inteiro que não morreu.
Há constelações adormecidas
debaixo das minhas penas molhadas de tristeza.
A árvore me conhece.
Sabe do peso dos invernos
que atravessaram meus ossos frágeis.
Sabe quantas tempestades
arrancaram pedaços do meu voo.
Às vezes, a lua sobe devagar
e repousa sobre meus ombros
como uma mãe antiga
tentando costurar minhas asas partidas
com linhas feitas de luz.
Então eu fecho os olhos
e escuto ao longe
o murmúrio secreto das estrelas.
Elas dizem
que até os pássaros feridos
carregam dentro de si
a memória do infinito.
E talvez,
quando amanhecer além da dor,
eu volte a abrir minhas asas —
não para fugir do mundo,
mas para abraçar o céu
que nunca deixou de me esperar.