Eu vi Serafim
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 03 de Julho de 2026 ás 14h 24min
Eu Vi um Serafim
Rosy Neves
Eu juro...
eu vi um Serafim.
Não trazia asas,
como as pinturas antigas
que repousam nas paredes das catedrais.
Sua forma
era uma roda dentro da outra,
círculos eternos
girando em sentidos opostos,
como se o tempo e a eternidade
dançassem a mesma canção.
Havia olhos.
Olhos incontáveis,
abertos sobre o invisível,
olhos que atravessavam
a matéria da minha alma
sem condenação,
sem palavras,
apenas contemplando.
E eu não tive medo.
Não...
o que habitou meu peito
não foi o medo.
Foi um fascínio silencioso,
um respeito que dobrava os joelhos da alma,
como quem encontra
um fragmento do céu
esquecido entre os instantes da Terra.
As rodas continuavam a girar,
tecendo mistérios
que nenhuma língua humana
consegue traduzir.
Ali compreendi
que existem belezas
grandes demais
para caberem na razão.
E, por um breve momento,
o universo inteiro
pareceu respirar
no ritmo daquele Serafim.
Desde então,
quando fecho os olhos,
ainda escuto
o rumor das rodas eternas.
E sei,
com a delicadeza de um segredo,
que o infinito
também sabe olhar para nós.