fagulhas de palavras
Poemas | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 28 de Janeiro de 2026 ás 13h 26min
Eu sou as fagulhas das palavras,
pronunciadas,
em um livro que ninguém mais lê.
Pó e papel, esquecido na estante,
um eco silencioso de histórias passadas.
Fagulhas, sim, isso mesmo, fagulhas.
Resquícios de emoções acesas,
amores, perdas, alegrias,
tudo condensado em letras desbotadas.
Eu crepito no escuro,
cada sílaba um lampejo,
uma memória fugaz.
Ninguém mais folheia as páginas,
o toque áspero do tempo,
o cheiro mofado do abandono.
Mas eu persisto,
fagulhas teimosas,
resistindo ao esquecimento.
Sussurros entre as linhas,
segredos guardados,
esperando, talvez, um novo leitor.
Um sopro de curiosidade,
um olhar atento,
e as fagulhas reacenderão.
Até lá,
eu queimo baixinho,
guardando a chama da história.