Faróis na névoa
Inverno | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 03 de Setembro de 2026 ás 07h 47min
Faróis na Névoa
Rosy Neves
Acenda os faróis dos teus olhos, amado,
antes que a noite cubra o caminho
e eu desapareça na névoa
de um mar que não reconheço.
Meus mastros estão quebrados,
as velas rasgadas pelo vento,
e minha pequena embarcação
perdeu o rumo entre as estrelas.
Estou perdida em um cais desconhecido,
onde ninguém sabe o meu nome,
onde o silêncio se deita sobre as águas
e a lua parece distante demais.
Tenho medo, amado.
Sinto frio.
O vento atravessa minha alma
como uma lâmina invisível,
e cada onda que toca o cais
parece chamar por aquilo que perdi.
Por isso,
acenda os faróis dos teus olhos
e deixe que eles me encontrem
no meio desta escuridão.
Não preciso de mapas,
nem de bússolas,
nem de um porto seguro.
Preciso apenas
do calor dos teus braços,
desse lugar onde o mundo se cala
e meu coração finalmente repousa.
Abra os braços, amado,
como quem abre as portas de um abrigo
depois de uma longa tempestade.
Deixe-me ficar.
Porque há noites
em que até as estrelas se perdem,
e há corações
que só encontram o caminho de volta
quando reconhecem, ao longe,
a luz de quem amam.