Farol da existência

Letras de músicas | Canção | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 27 de Abril de 2026 ás 14h 21min

Há um farol que insiste 

teimoso como a fé que não se rende -

a acender no silêncio das estrelas.

 

Não há vento,

não há mar que o rodeie,

e ainda assim ele pulsa,

como um coração antigo

escondido na eternidade.

 

Dizem que foi silenciado há séculos,

afogado no esquecimento dos homens,

coberto pela poeira dos mundos

que já não sonham.

 

Mas eu o escuto.

Não com os ouvidos,

mas com essa parte em mim

que ainda sabe tremer diante do infinito.

 

Ele me chama —

num idioma que não aprendi,

mas reconheço.

 

É um sussurro de luz,

uma memória que não vivi,

um eco que atravessa o tempo

e encontra abrigo em minha alma.

 

Ó farol esquecido,

quem te acendeu pela primeira vez?

Que mãos divinas ou humanas

ousaram acender tua chama no vazio?

 

E por que me chamas agora,

como se eu fosse resposta

de uma pergunta feita há milênios?

 

Eu tremo.

Pois sinto que, se eu te seguir,

não voltarei o mesmo —

ou talvez nem volte.

 

Mas há algo em mim

que já começou a caminhar.

 

E no silêncio das estrelas,

onde tudo parece morto,

teu chamado acende em mim

o que jamais foi apagado.

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