Farol escondido
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 11 de Maio de 2026 ás 16h 47min
Há uma noite escura dentro de mim:
um céu sem lua derramado sobre abismos silenciosos,
onde os ventos uivam antigos nomes
que já não ouso pronunciar.
Caminho por corredores de sombra,
tocando paredes feitas de saudade,
e cada lembrança é uma estrela morta
caindo devagar dentro do peito.
Navego de olhos fechados,
marujo perdido entre tempestades,
guiado apenas pelo rumor distante
de alguma esperança escondida nas marés.
As ondas quebram violentas
contra os frágeis barcos dos meus sonhos,
e a chuva atravessa minha alma
como milhares de agulhas de inverno.
Há feridas abertas em meu silêncio,
oceanos sangrando dentro do coração,
e às vezes penso ser feito apenas
de névoa, cansaço e ruínas.
Mas ainda continuo.
Ainda ergo minhas velas rasgadas
contra os ventos do desespero,
porque no fundo da noite mais escura
uma centelha insiste em sobreviver.
Talvez exista em mim
um jardim escondido além das tempestades,
onde lírios brancos florescem intactos
sobre as águas do sofrimento.
Talvez exista uma casa invisível
erguida entre galáxias silenciosas,
refúgio secreto dentro da alma
onde a dor não consegue entrar.
E quando fecho os olhos,
por um breve instante,
ouço esse universo respirando em mim.
Ele pulsa suavemente
como asas de constelações adormecidas,
mãos divinas costurando luz
nos rasgos profundos da escuridão.
Então compreendo:
não sou apenas a tempestade,
não sou apenas a noite
nem os mares revoltos que me atravessam.
Sou também o farol escondido
entre os penhascos da eternidade,
sou a ilha secreta
que resiste ao naufrágio dos dias.