Fios de luar
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 06 de Junho de 2026 ás 19h 19min
Fios de Luar
Fios de luares escapam dos olhos da noite,
caminham como sombras sobre o manto escuro do mundo,
cantando um lamento suave,
um eco de saudade que se desdobra entre as folhas sussurrantes das árvores,
onde o vento, hábil mensageiro,
traz consigo murmúrios e sons tristes.
Quase uma oração,
um sussurro perdido em prece,
as estrelas piscam em resposta,
carregadas de promessas não ditas,
promessas que dançam na brisa como bordados de esperança em velhos lençóis de algodão.
E a escuridão,
essa amiga silenciosa,
abraça os segredos da noite,
segredos desnudados sob o olhar de um céu que se despede da luz do dia,
onde lembranças se entrelaçam como fios de um tear ancestral.
Oh, lamento que serpenteia,
tece dores e alegrias,
nesta tapeçaria de momentos,
onde cada fio é um tom,
cada cor um sentimento,
cada espaço um respiro entre a vida e a espera.
Um perdão que ecoa na penumbra,
um resgatar da luz perdida,
murmúrios que se fazem canção,
música suave de corações partidos,
como pássaros feridos,
tentando encontrar o caminho de volta ao abrigo do passarinho que canta.
Fios de luares, delicados,
cristais que brilham à beira do sonho,
sombras que dançam nos recantos da mente,
palavras não ditas que se tornam letras,
nesta poesia que se desenrola como um rolo de alma,
onde a noite se vestiu de versos,
e cada silêncio compartilha,
um pedaço de dor, um sopro de amor.
Ah, como a noite enlaça nossos medos,
nossos desejos ocultos sob as estrelas,
como se o céu respirasse por nós,
os suspiros subindo, emaranhados,
como névoa que se dissolve na luz do amanhecer.
Mas por agora,
que os fios de luares escapem,
que caiam sobre a pele da noite,
como um manto de serenidade,
como um convite à paz,
onde o murmúrio se torna coral,
e a oração um eco de gratidão,
neste vasto espaço entre o ser e o não ser.