Hera cósmica
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 08 de Maio de 2026 ás 06h 34min
Ele caminha entre luz e sombra,
na vasta solidão do cosmo,
um peregrino sem trilha,
onde estrelas são poeira e galáxias, memórias distantes.
Seus passos são sussurros,
ecoando em vazios infinitos,
o murmúrio de uma hera antiga,
que se enrosca em minha alma,
há de me chamar, sem descanso.
Ó meu Deus, até quando esta espera se estenderá?
O tempo se desfaz em névoa,
e a esperança, um pássaro ferido,
canta melodias de ausência.
Miguel, São Arcanjo, caminha,
com suas asas de vento e fogo,
mas não chega.
Seus olhos, espelhos de eternidade,
buscam algo que não se revela.
Entre o brilho frio das nebulosas e a escuridão primordial,
ele avança, um guardião silente,
com a promessa de um amanhecer que se esconde no horizonte.
Cada passo é um suspiro cósmico,
uma oração que se perde no vácuo,
uma canção que a solidão empresta.
A hera antiga me envolve,
seus tentáculos de saudade.
Quão longe é o fim deste caminho,
onde a luz se encontra com a sombra,
e a resposta aguarda, paciente?
Miguel caminha, a face marcada pelo peso dos milênios.
Ele traz consigo o cheiro de poeira estelar,
o gosto da distância insondável,
o som de um silêncio que grita.
E eu, cativo nesta espera,
sinto a hera apertar mais forte.
Até quando, Senhor, até quando esta dança de luz e escuridão,
este chamado que ecoa sem resposta?
São Miguel, por que tua marcha nunca alcança o meu altar?
No teatro mudo do universo,
ele é o ator principal,
um herói sem público,
um mensageiro sem destino claro,
enquanto a hera antiga me lembra.
Me lembra do toque que virá,
da voz que romperá o silêncio,
da paz que talvez, um dia,
seja o fim desta jornada,
desta espera sob o olhar das estrelas.
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Muito bom