“Hiperfoco do TEA”
Muitos acham que hiperfoco é tudo igual. Mas não é.
No autismo, ele nasce da previsibilidade, da segurança de saber o que quer, aonde quer chegar e o que vem depois. No TDAH, ele dança com a dopamina, com o sistema de recompensa, do prazer imediato. Para muitos é uma forma de colocar ordem no meio do caos.
Cada pessoa autista pode ter um hiperfoco diferente: Fórmula 1, Medicina, Corpo humano, Animais, Dinossauros, números, Letras, Personagens e outros mais... O hiperfoco muitas vezes organiza a rotina. Acordar Sempre no mesmo horário. O mundo se organiza passa faz sentido por algumas horas.
Muitos falam sobre o hiperfoco sem saber o peso que essa palavra carrega. Porque para a pessoa autista não tem um padrão visível. Não está na cara. É uma condição neurológica feita de diferenças na percepção, na comunicação, na forma como o corpo sente o mundo.
Um olhar fixo para o autista pode ser encarado como invasão.
O autista e não gosta de ser encarado.
O contato visual cansa. Ativa as áreas do cérebro ligadas ao alerta e à ansiedade. Não é frescura. É neurobiologia.
A autorregulação tem muitas formas. Vestir capuz para se proteger, fones para abafar os sons, óculos escuros para diminuir a luz, outros precisam de silêncio, outros necessitam de movimento.
Há quem use bloqueadores de ruído, computadores, rotinas rígidas.
O que não ajuda é quando alguém, mesmo próximo, invade o espaço. Força contato. Tocam sem aviso. Aproximam demais achando que é carinho, mas, não é. É invasão!
E ainda existe o preconceito. O rótulo fácil.
A falta de conhecimento que machuca mais do que o barulho.
No fim, tudo o que a gente pede é simples:
respeito às nossas conexões, aos nossos limites, ao nosso jeito de existir.
Comentários
Me sinto representada neste belo texto, pois tenho meus alimentos de conforto como pipoca, que eu como cada todo dia, tem os que não suporto como cheiro verde, quiabo, cebola, pimentão e pepino! Além de textura de roupas e etiquetas, às vezes preciso de silêncio para me confortar!
Keila Rackel Tavares | 02/02/2026 ás 21:00 Responder Comentários