Hoje o céu amanhã cinza
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 07 de Março de 2026 ás 07h 06min
O cinza abraça a manhã
Um lençol baixo
Tecido de nuvens preguiçosas
Que recusam o azul de promessa.
Mas sob este teto úmido
A vida pulsa, rápida.
Andorinhas
Milhares delas
Pontos pretos
Traçando arabescos frenéticos
No ar pesado.
Parecem tinta escura
Espalhada por um pincel invisível
Que desenha o caminho
Entre o telhado e o chão molhado.
Elas não esperam o sol
Não pedem licença ao nublado.
Voam rasantes
Sussurros de asas
Uma dança sem música
Que só a pressa entende.
O céu está fechado
Mas o espetáculo continua
Um murmúrio vivo
De penas inquietas
Celebrando o instante
Mesmo sem luz clara.