Infância persistente

| Poesia Lírica | 2025 - Antologia Junia Tainá Nogueira Fries e Convidados | Manoel R. Leite
Publicado em 31 de Março de 2026 ás 17h 05min

 

Permanece na dobra leve de um gesto esquecido

Quase não se vê

mas atravessa

 

Um rastro de luz repousa sobre o chão antigo

e algo ali ainda respira

sem nome

 

Senta no silêncio das coisas que ficaram

como quem escuta de dentro

um chamado baixo

 

Há um riso guardado atrás do olhar

não inteiro

apenas o suficiente para não desaparecer

 

Nas mãos

um resto de tarde

que não aprendeu a ir embora

 

Entre o que foi dito

e o que nunca precisou ser

ela permanece

 

Toca o tempo sem pedir passagem

e o tempo por instantes cede

como se lembrasse

 

Há passos que voltam

sem caminho

sem pressa

 

Um vento leve move aquilo que não se vê

e tudo parece quase

como antes

 

Mesmo quando o mundo pesa

algo insiste em não endurecer

fica ali

 

Pequeno

quase invisível

inteiro

 

E sustenta

em silêncio

 

o que ainda não terminou

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