Lírios proibidos

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 23 de Março de 2026 ás 21h 18min

Ó meu Deus…

por que ousei tocar

os lírios do Teu jardim?

Eram brancos como o silêncio

antes da criação,

puros como a aurora

que nunca conheceu a dor.

 

Mas minhas mãos —

tão humanas, tão febris —

buscaram o sagrado

sem pedir licença ao infinito.

Então, Miguel, São Arcanjo,

ergueu sua espada de luz

e, em um sopro de justiça,

fez do toque um arrependimento.

 

Minhas mãos sangram…

não de ferida,

mas de consciência.

 

E o sangue que cai

não é vermelho —

são lágrimas.

Lágrimas que se tornam rios,

rios cristalinos

descendo as colinas do universo,

levando em seu curso

o peso do meu gesto

e a leveza do perdão que ainda espero.

 

Ó Deus…

se os lírios ainda florescem,

deixa que eu os contemple de longe,

com olhos que aprenderam

a reverenciar o mistério.

 

E que minhas mãos,

agora vazias,

se tornem oração.

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