Lótus nas areias das estrelas

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 12 de Junho de 2026 ás 09h 16min

Lótus nas Areias das Estrelas

de Rosy Neves

 

As estrelas ainda desenham o nome dele nas areias,

com dedos de prata e silêncio,

como antigas escribas do céu

que conhecem os segredos guardados entre os ventos da Anatólia.

 

E quando a noite desce sobre os minaretes adormecidos,

eu o pronuncio baixinho,

como quem toca a água de um lago sagrado

para não perturbar o reflexo da lua.

 

Então os lótus eternos se abrem.

Abrem-se um a um,

nas margens invisíveis do mundo,

ao ouvir-me sussurrar o nome dele.

 

Não com medo.

Pois o medo é uma ave escura

que não encontra morada em meu peito.

Não com tristeza.

Pois a tristeza dissolve-se como névoa

sobre os vales dourados do amanhecer.

 

Mas com uma ternura eloquente,

tão vasta quanto os desertos que conversam com as estrelas,

tão suave quanto a respiração dos anjos

atravessando os Bósforos do sonho.

 

Ó meu Deus...

Se existe um jardim escondido entre o céu e a terra,

sei que o nome dele floresce ali,

entre romãs de luz e fontes de safira.

 

E cada sílaba que pronuncio

transforma-se em pássaro,

e cada pássaro sobe aos céus

levando consigo uma pétala do meu amor.

 

As estrelas ainda desenham o nome dele nas areias.

E as areias, apaixonadas, não o apagam.

Guardam-no.

Como o mar guarda a lua,

como a noite guarda o perfume do jasmim,

como minha alma guarda, em segredo,

a doçura infinita de chamá-lo pelo nome.

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