Melancolia
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 04 de Junho de 2026 ás 18h 31min
A Melancolia
A melancolia chegou ao entardecer,
vestida de névoa e folhas de outono.
Sentou-se em silêncio na varanda da alma
e ficou olhando o horizonte sem nome.
Não trouxe tempestades nem trovões,
apenas o suave peso das lembranças,
como pássaros cansados regressando
a jardins que já não existem.
Havia uma canção esquecida no vento,
um perfume distante de jasmins,
e a sombra de antigos sonhos
caminhando descalços pela memória.
A melancolia não chorava.
Ela apenas recolhia estrelas apagadas
e as guardava em seus bolsos de crepúsculo,
como quem salva pequenos tesouros do céu.
Então compreendi:
há tristezas que não vêm para ferir,
mas para ensinar o coração a ouvir
a voz suave da eternidade
escondida entre os silêncios.
E naquela tarde sem fim,
enquanto a lua nascia entre nuvens prateadas,
a melancolia transformou-se em poesia
e floresceu, silenciosamente, dentro de mim.
Comentários
Que lindeza de poesia! A melancolia que quando surge transforma a calma em angústia, Rosy Neves sabe transformar este instrumento em poesia! Parabéns!