Meu Primeiro Amor
Quando a conheci, ainda era menina
eu, então, bem jovem, por ela me encantei!
Pouco entendia sobre a envoltura da paixão
insólito, nada sabia sobre coisas do coração
mas, como um néscio à ventura me lancei!
Naquele augusto começo, para nós era só flores
parecia até uma fantasia, um sonho de quimera!
Vivíamos só para nós! Mais ninguém nos importava!
Não dávamos ouvidos ao que pelos cantos se falava
pois para os dois, brilhantemente, começara a primavera!
Ela, jovenzinha, tão imatura, uma pré-adolescente
apaixonou-se por mim, sem nada entender!
Um jardim florido emanava em seu peito
tocávamos os lábios, sem saber beijar direito
para nós era para sempre! Nunca iríamos nos desprender!
Vivíamos a fase de uma paixão ardente
latejava forte, era profundo, o fogo nos consumia!
Nem meus pais nem os dela davam aquiescência
mas queríamos atropelar tudo, não precisávamos de anuência
tolos, pensávamos nós que tínhamos autonomia!
Mas o tempo segue seu curso! É senhor da razão
eis que chegou e pôs as coisas em seu lugar!
Seus pais se mudaram para outra cidade
viveríamos nós, agora, apenas de saudades
e lágrimas muitas teríamos a enxugar!
Trocar correspondências foi nosso fadário
tínhamos que contar com a assistência dos Correios!
Aquilo era sem graça, talhado ao fracasso
não tinha seu sorriso, não tinha seu abraço
e como fumaça que passa, chegaram ao final nossos devaneios!
Seu coração a outra paixão se entregou,
já era esperado, nada me surpreendeu!
Era, enfim, a doce primavera que acabara
uma paixão adolescente, tão meiga, então findara
e novos amores e atitudes nos envolveu!
Enoque Gabriel, Lorde Égamo
Da obra:” No toque perfumado de uma flor”