Meus dias são feitos de poesias

Poemas | Crônica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 19 de Maio de 2026 ás 16h 15min

Meus Dias São Feitos de Poesias

 

de Rosy Neves

 

Há quem conte os dias pelas horas.

Eu conto os meus pelos versos que nascem silenciosamente dentro do peito.

 

Acordo cedo, mas não é o despertador que me chama para a vida. São as pequenas delicadezas do mundo. O vento atravessando a janela como quem conhece meu nome. A luz dourada da manhã pousando sobre a mesa. O cheiro do café subindo devagar, como uma lembrança antiga de felicidade.

 

Meus dias são feitos de poesias.

Mesmo quando ninguém percebe.

 

Há poesia nas flores cansadas do jardim, que ainda insistem em florescer apesar das tempestades. Há poesia nas borboletas que atravessam a tarde sem pedir licença, como almas coloridas procurando um céu mais bonito. Há poesia até nas tristezas que carrego escondidas entre os olhos e o silêncio.

 

Aprendi que a vida não fala alto.

Ela sussurra.

E só escuta quem desacelera o coração para ouvir.

 

Às vezes caminho pelas ruas sentindo que o mundo inteiro virou uma grande metáfora. As árvores parecem escrever cartas para o céu. As nuvens inventam formas de sonhos esquecidos. E o vento... Ah, o vento sempre me parece um poeta invisível tentando organizar os sentimentos do universo.

 

Nem todos entendem quem vive assim.

Há pessoas práticas demais para enxergar beleza nas pequenas coisas. Mas eu continuo recolhendo fragmentos de eternidade nas esquinas dos dias comuns.

 

Porque sobreviver nunca foi suficiente para mim.

Eu preciso sentir.

Preciso olhar o mar imaginário que existe dentro da alma humana. Preciso transformar saudade em palavra, silêncio em abrigo, lágrima em chuva poética.

 

Talvez por isso eu nunca tenha pertencido completamente ao mundo apressado. Enquanto muitos correm atrás do tempo, eu paro para observar uma folha caindo lentamente no chão, como se ela estivesse contando um segredo apenas para mim.

 

Meus dias são feitos de poesias.

E talvez seja essa a minha maneira de permanecer viva sem endurecer o coração.

 

Porque quem escreve sentimentos nunca morre por inteiro.

Fica espalhado em frases, em memórias, em versos deixados sobre a mesa da existência.

 

E quando a noite chega, trazendo sua melancolia azulada, eu apenas fecho os olhos e agradeço.

Por ainda conseguir enxergar beleza onde quase ninguém mais vê.

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