Na ponta de uma caneta

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 02 de Julho de 2026 ás 15h 54min

 Na Ponta de uma Caneta

 

Rosy Neves

 

Se o universo é uma música silenciosa,

quem escuta o compasso das estrelas?

Quem recolhe as notas invisíveis

que o vento semeia sobre a eternidade?

 

Quantos anjos dançam na ponta de uma caneta,

enquanto uma alma escreve o indizível?

Talvez cada palavra seja uma asa,

e cada verso, um pequeno voo rumo ao infinito.

 

Há um coral escondido entre as galáxias,

cantando sem voz, sem princípio e sem fim.

Os astros apenas respiram essa melodia,

e o tempo curva a cabeça em reverência.

 

Minha caneta toca o papel

como quem procura Deus no silêncio.

A tinta transforma?se em constelações,

e o coração, em um barco de luz.

 

Se o universo é uma música silenciosa,

então cada poema é uma nota perdida

que os anjos recolhem com delicadeza,

para devolvê?la ao Criador como oração.

 

E, quando a última palavra repousar,

talvez eu descubra que nunca escrevi sozinha:

havia um anjo conduzindo minha mão,

enquanto o infinito dançava

na ponta de uma simples caneta.

Comentários

Olá! Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.