Na sombra em que tu dormes
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 26 de Maio de 2026 ás 11h 01min
Na Sombra em Que Tu Dormes
Na sombra em que tu dormes,
há um jardim sem manhã.
As flores, murchas e caladas, perderam o perfume,
e os pássaros, tristes e desorientados,
esqueceram o caminho do canto…
Eu caminho devagar, muito devagar,
pelos longos corredores da noite,
carregando nos olhos, com peso e dor,
uma chuva antiga,
uma tempestade velha que nunca,
nunca encontra o fim dentro de mim.
Na sombra em que tu dormes,
até as estrelas parecem mais distantes,
tão longínquas e frias quanto barcos de luz
que se perderam, há muito tempo,
num oceano imenso e profundo
feito apenas de silêncio e saudade.
Ah, como dói a tua ausência!
Há um frio cortante crescendo nas paredes da minha alma,
e o vento que sopra por aqui
atravessa o meu peito aberto
como quem procura desesperadamente
algo que sabe, no fundo, que jamais voltará.
Às vezes, chamo o teu nome…
digo-o baixinho, num sopro quase mudo,
tal qual uma criança assustada e perdida
que chama por quem ama
no meio do rugido de uma tempestade.
Mas ninguém responde…
Apenas a melancolia se aproxima,
sentando-se ao meu lado, calada e suave,
feita de névoa densa e memórias que doem.
E assim, na sombra em que tu dormes,
enquanto o mundo descansa,
o meu coração permanece solitário e acordado,
velando os teus sonhos distantes
com lágrimas que rolam em silêncio
e mãos estendidas, cheias de estrelas partidas…