Não abandone o pássaro
Poemas | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 06 de Janeiro de 2026 ás 09h 21min
Não abandone o pássaro molhado, na chuva,
uma pena encharcada, tremendo
sob o peso do céu despejado.
Não vire o rosto.
Não ignore o chamado silencioso
dos olhos pequenos, brilhando
com um medo ancestral.
Ele é mais do que um ser frágil
lutando contra a tormenta.
Ele é a canção esquecida
presa na minha garganta,
a melodia interrompida
pelo relâmpago,
o verso incompleto
rasgado pelo vento.
Asas coladas ao corpo,
a esperança quase afogada,
ele busca um abrigo,
um raio de sol improvável.
E eu, do lado de dentro,
sinto o frio cortante,
a vulnerabilidade exposta,
a luta para não sucumbir.
Não abandone o pássaro molhado,
pois nele reside a minha história,
o eco dos meus silêncios,
a fragilidade que me define.
Nunca.