Sinopse: As vezes, a maior descoberta está no reflexo que insistimos em não enxergar.
Não Tem Como Fugir
Não tem como fugir. Para todos os lugares que olho, te encontro. É como um enigma simples, porém complicado de decifrar.
Outro dia, abri a janela e a vi: cabelos soltos ao vento, roupa de verão, tão livre, tão solta, tão feliz. O que será que aconteceu naquele dia para esbanjar risos e alegrias? Parecia contagioso, pois algo dentro de mim se movia.
Fechei a janela. Te encontrei sentada, abraçando o próprio corpo. Parecia que alguém havia tirado-lhe o chão e te deixado no meio do nada, só você e os cacos que te restaram.
Te olhei e estendi minha mão. Peguei alguns cacos e te ajudei a levantar. Não havia chão. Mesmo assim, te convidei a dar um pequeno passo para recomeçar.
Com os cacos numa mão e o coração na outra, andamos bem devagar. No decorrer do caminho, começamos a colar os cacos, juntando-os novamente, cada um em seu lugar. Vimos cada uma das cicatrizes se formando.
Levantamos o olhar e uma réstia de luz apareceu. Sabíamos que poderíamos continuar...
Abri a porta e te encontrei novamente, renovada. O sorriso era diferente: carregava cicatrizes que ninguém conhece. Como a fênix, você ressurgiu.
Continuei a te olhar. Era você, madura, segura de si, com a mão estendida. Parecia querer tocar algo. Fixei o olhar e me vi no reflexo do teu olhar.
Verdadeiramente, não tem como fugir de mim.