Nas margens do grande rio

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 12 de Maio de 2026 ás 06h 43min

Nas Margens do Grande Rio

 

Nas margens do grande rio,

há um pássaro que chora

e treme de frio

sob a névoa que devora

as últimas brasas da aurora.

 

Suas penas encharcadas

carregam ventos antigos,

memórias despedaçadas

de jardins já esquecidos

entre os silêncios do destino.

 

Ele canta para a água

com a voz feita de saudade,

como quem derrama mágoa

na funda eternidade

das correntezas sem idade.

 

O rio escuta calado

o soluço daquele ser,

um pequeno exilado

que desaprendeu a viver

desde que perdeu o amanhecer.

 

As estrelas, compassivas,

descem baixinho do céu,

como lanternas cativas

bordando um dourado véu

sobre o seu peito cruel.

 

Então o pássaro ergue

os olhos úmidos ao infinito,

e o universo converge

num silêncio tão bonito

que até a dor perde o grito.

 

E nas margens do grande rio,

onde a tristeza florescia,

nasce um delicado fio

de luz serena e tardia,

qual uma nova poesia.

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