Ninguém viu o rei chorar como eu
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 10 de Junho de 2026 ás 09h 51min
Ninguém Viu o Rei Chorar Como Eu
Rosy Neves
Ninguém viu o Rei chorar como eu...
A noite guardava silêncio sobre os minaretes adormecidos, e o vento do Bósforo carregava segredos antigos entre a areia, o sal e as estrelas errantes.
Ninguém viu o Rei chorar como eu.
Eu vi as lágrimas escaparem dos olhos dele, como dois rios de prata nascendo nas montanhas do céu, descendo devagar pelos vales da alma.
Eu vi.
E cada lágrima que caía abria uma rosa invisível nos jardins da eternidade.
O mundo dormia. Os anjos dormiam. As cidades dormiam.
Mas eu estava ali, escutando o peso do seu silêncio.
Ninguém imagina a tristeza que habita o coração de um rei.
Pois as coroas são feitas de ouro, mas também de ausências, de despedidas, de sonhos que jamais regressam.
Eu vi as lágrimas dele brilharem na escuridão como duas estrelas feridas caindo lentamente sobre o mar da noite.
E quando a última lágrima caiu, o vento turco curvou-se em reverência, as areias ficaram imóveis, e até a lua escondeu o rosto atrás das nuvens.
Ninguém viu o Rei chorar como eu.
Somente eu, perdida entre amor e silêncio, guardo até hoje a memória daqueles olhos.
E às vezes, quando a noite é profunda, ainda ouço o eco das suas lágrimas atravessando os antigos Bósforos das estrelas, como uma oração que nunca termina.