No dia em que o sol morreu
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 20 de Maio de 2026 ás 17h 42min
No Dia em Que o Sol Morreu
de Rosy Neves
No dia em que o sol morreu,
as manhãs vestiram luto
e os pássaros perderam o caminho
entre nuvens sem memória.
O mar silenciou suas ondas,
como quem guarda um segredo antigo
nas profundezas de um coração cansado.
E as flores fecharam suas pétalas
com medo da eternidade fria.
No dia em que o sol morreu,
eu procurei teu nome
nas ruínas douradas do horizonte,
mas o vento o levou
para além das estrelas adormecidas.
As crianças choraram luz,
os rios correram devagar,
e a lua, tão pálida e sozinha,
tremia no céu
como uma vela prestes a apagar.
Então compreendi
que o fim do sol
não era o fim do mundo —
era apenas a ausência
daquilo que aquecia a alma.
E desde aquele dia,
carrego pequenas auroras
dentro do peito,
para que nenhuma noite
mate outra vez
o brilho do amor.